É do Brasil! “Ainda estou aqui” é premiado como melhor filme internacional no Oscar

A noite desse domingo, dia 2 de março, foi especial para o povo brasileiro. Toda a energia contagiante do Carnaval se misturou com a festa do Oscar, que teve como protagonista a atriz Fernanda Torres e o filme “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles.

Com três históricas indicações, o longa-metragem do Brasil saiu vitorioso na categoria de filme internacional, batendo a película favorita “Emilia Pérez”, que perdeu fôlego durante a campanha após acumular polêmicas.

Na categoria de melhor atriz, infelizmente Torres não desbancou Mikey Madison, de “Anora”, que era uma das favoritas ao lado de Demi Moore, de “A substância”.

“Ainda estou aqui” também estava no páreo pela estatueta principal, de melhor filme, que foi para “Anora” — vale ressaltar que um único filme em língua estrangeira conquistou esse prêmio nos quase 100 anos de Oscar, o drama sul-coreano “Parasita”, ou seja, as chances ali eram quase nulas. Entre os 10 indicados, a disputa verdadeira se concentrou em “Anora”, “Conclave” e “O Brutalista”. Como muito ressaltado, somente a indicação já foi uma vitória.

Com “Ainda estou aqui”, que até agora conquistou cerca de US$ 30 milhões ao redor do mundo, a cultura brasileira ganhou grande visibilidade. O país teve uma oportunidade ímpar de fazer sucesso e ao mesmo tempo mandar uma mensagem potente sobre os horrores da ditadura.

Agora é torcer para que a discussão da obra continue ressoando. Mais do que isso: também problematizar como esse período de repressão do Estado em verdade nunca acabou para a população preta e pobre, até hoje marginalizada e massacrada, mesmo em um regine teoricamente democrático e com um governo que se diz de esquerda e aliado dos trabalhadores.

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