China, Panamá, México, Canadá, Dinamarca e, agora, Colômbia. A lista de países que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem hostilizado de alguma forma nas últimas semanas continua crescendo. O recado do republicano que ocupa a Casa Branca é nítido: o mundo deve se curvar aos seus pés ou sofrerá retaliações.
O embate ocorrido nesse domingo, dia 26, entre Trump e Gustavo Petro, presidente da Colômbia, mostra que as regras de diplomacia internacional não fazem mais nenhum sentido para Washington.
Tudo começou com Petro dizendo que mandou devolver aviões militares com colombianos porque “migrante não é criminoso e deve ser tratado com a dignidade que um ser humano merece”.
Vale pontuar que o México também já havia recusado um voo e, nesse fim de semana, aqui no Brasil, a questão migratória rendeu manchetes, pois brasileiros expulsos dos EUA relataram agressões, humilhação e medo de morrer durante a viagem de retorno. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, esteve no terminal em Confins para receber os brasileiros e disse que as denúncias das pessoas que chegaram são muito graves e violam os direitos humanos. Ou seja, ainda há a possibilidade de Trump acatar o governo Lula nos próximos dias.
Voltando para a questão colombiana: o presidente dos EUA, no domingo, disse que taxaria os produtos colombianos em 25%. Caso Petro seguisse com a decisão, os impostos subiriam para 50%. Em resposta, o presidente da Colômbia fez um longo discurso de resistência (leia a íntegra aqui) e disse que taxaria os produtos norte-americanos em igual medida. No mesmo dia, ambos os governos relataram terem chegado a um acordo e que as tarifas não seriam postas em prática. Entretanto, a Casa Branca manteve a retaliação sobre vistos até que o primeiro carregamento de aviões de deportados colombianos seja devolvido com sucesso.
O que Trump faz é descortinar uma prática antiga dos EUA: o bullying e a chantagem. Pode ser chocante ver o despudor de seus atos sem rodeios, mas eles refletem o que sempre fora feito por trás do panos em alguma medida. Vale lembrar que as ditaduras sul-americanas foram patrocinadas pela Casa Branca.
O que há de novidade maior? Não apenas fora, mas dentro dos EUA Trump trata como inimigo qualquer pessoa que não concorde 100% com o que ele diz. Resta saber até quando os estadunidenses e o mundo tolerarão isso.



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