O líder de extrema direita Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos nesta segunda-feira, dia 20, no Capitólio, em Washington. O evento foi realizado em uma área interna pela segunda fez na história devido ao frio intenso na cidade.
Cercado de apoiadores, bilionários e ex-presidentes, Trump começou seu discurso dizendo que “a era de ouro dos Estados Unidos começa agora”.
Em tom messiânico, o republicano lembrou a tentativa de assassinato que sofreu durante a campanha eleitoral no ano passado e afirmou que foi “salvo por Deus para fazer a América grandiosa novamente”. O apelo aos cristãos foi óbvio, citando Deus outras vezes durante sua fala, que durou cerca de meia hora e teve diversas interrupções para seus apoiadores aplaudirem de pé.
Pontos importantes da fala de Trump:
- Imperialismo renovado. Ficou óbvio seu desejo de ter o país como a única força que move o mundo. Citou o exército estadunidense e o papel dos EUA em conflitos mundiais, tanto vencendo quanto não se envolvendo e até mesmo terminando conflitos existentes — uma alfinetada para os democratas presentes.
- Desejo de paz e unidade, mas ao mesmo tempo quer invadir outros países. Ainda que Trump tenha deixado a Groelândia e o Canadá de fora da fala, voltou a citar o Panamá e foi enfático: retomará o controle do canal, um gesto de agressão à soberania de outro Estado.
- Assinatura de decretos executivos no primeiro dia de mandato. A partir de então, citou pautas que já são velhas conhecidas:
- Guerra aos imigrantes, que ele chama de modo pejorativo de “alienígenas”, com promessa de deportação de “milhões e milhões”.
- Assinatura de decreto de emergência nacional na fronteira com o México.
- Designação de cartéis como organizações terroristas estrangeiras.
- Declaração de emergência energética nacional e sinal verde para a exploração desenfreada de óleo e gás, com a infame frase “we will drill, baby, drill”.
- Fim do Green New Deal, ou seja, fim do combate às mudanças climáticas.
- Tarifas e taxas para países estrangeiros com a promessa de enriquecimento dos cidadãos dos EUA.
- Fim do que ele considera “censura”, atacando as políticas afirmativas.
- Ataque à diversidade, afirmando que só existem dois gêneros: homem e mulher.
- Renomeação o Golfo do México como Golfo da América.
Em resumo, Trump trouxe para a sua fala inaugural tópicos tipicamente abordados por ele. Cabe saber agora como os cidadãos dos EUA e os países afetas pela sua política externa vão reagir.
Conforme coluna do jornalista Jamil Chade, governos de diferentes partes do mundo começam a se preparar para o que pode ser uma guerra comercial estabelecida por Trump. A ordem em muitas capitais está sendo a de elaborar uma lista de retaliações que abalem não apenas a Casa Branca, mas principalmente a base do republicano pelo país.
Ao que parece, a posse de Trump não inaugura apenas um novo mandato nos EUA, mas um capítulo mais tumultuoso de instabilidade e ódio no mundo.



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