Com o objetivo de combater a evasão fiscal e promover maior transparência, a Receita Federal anunciou no início de 2025 que, a partir de 1º de janeiro, o monitoramento de transações financeiras no Brasil havia sido ampliado.
Conforme a própria Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, o monitoramento estabelecido pela portaria se restringia à notificação de movimentações globais acima de R$ 5 mil por mês, no caso de pessoas físicas, e R$ 15 mil mensais, no caso de pessoas jurídicas, sem detalhamento de origem ou destino. Até então, cartão de crédito e depósitos, entre outras modalidades, já eram monitorados quando os valores excediam em R$ 2 mil para pessoa física e R$ 6 mil no caso de pessoa jurídica.
Não demorou muito para uma onda de mentiras tomar conta da internet. Mesmo que a Constituição Federal proíbe a cobrança de qualquer tributo sobre movimentação financeira no Brasil e a medida anunciada pelo governo Lula em nada modificasse isso, espalhou-se o boato de que as pessoas passariam a pagar impostos ao realizar transações com o Pix.
Um vídeo em especial viralizou: o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem mais de 300 milhões de visualizações e, ainda que não minta sobre a cobrança, insinua que o governo tenha como objetivo final futuramente taxar o Pix.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o deputado teria sido escalado pelo marqueteiro Duda Lima, responsável pelas campanhas de Jair Bolsonaro à presidência em 2022 e de Ricardo Nunes à prefeitura de São Paulo em 2024, para fazer críticas às novas regras da Receita Federal. A escolha de Nikolas foi motivada por seu alto número de seguidores nas redes sociais e pelo vínculo com o ex-presidente da extrema direita.
O nível de desinformação foi tão grande que o governo Lula precisou recuar e revogar a normativa da Receita. “Tenho para mim que o Bolsonaro está um pouco por trás disso, porque o PL financiou o vídeo do Nikolas. O Duda Lima foi quem fez o vídeo”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Este caso acaba sendo só mais um exemplo do poder da disseminação de mentiras no ambiente virtual, bem como da necessidade de regulação das redes sociais. Além disso, mostra o quanto o governo federal tem dificuldade em comunicar suas pautas.



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