Faixa de Gaza em ruínas, derrota de Israel, cessar-fogo em vigor. E agora?

Neste domingo, dia 19, entrou em vigor o acordo de cessar-fogo entre o governo de Israel e o Hamas. Após 15 meses de genocídio do povo palestino que vive na Faixa de Gaza e tréguas passadas fracassadas, impera agora a esperança de que desta vez o massacre será de fato interrompido — ao menos ali, já que a limpeza étnica e as ocupações israelenses ilegais continuam a todo vapor na Cisjordânia.

O acordo de cessar-fogo é dividido em três fases. A primeira delas, com duração de seis semanas, prevê a volta de cerca de 2,3 milhões de palestinos para o que restou de seus lares; aumento da ajuda humanitária da atual média de 18 caminhões por dia para 600; deslocamento das tropas israelenses para uma zona pré-definida ao leste; e a troca de 33 reféns israelenses mantidos em cativeiro por cerca de 1,7 mil palestinos detidos em prisões israelenses.

As duas próximas fases são incertas e ainda precisam ser negociadas. Logo, as chances do acordo desmoronar e termos uma continuidade da matança são grandes. Basta lembrar que a trégua de novembro de 2023, não muito tempo depois do massacre perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro, durou apenas uma semana; e o cessar-fogo costurado em maio de 2024, muito parecido com os moldes atuais, foi negado pelo governo de extrema direita de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel.

Fato é que este cessar-fogo representa uma derrota para Netanyahu, já que ele tinha como objetivo público resgatar todos os reféns e eliminar o Hamas. Não conseguiu nenhuma das duas coisas.

Alguns fatos a serem considerados:

 

O papel nefasto dos Estados Unidos

Conforme pode ser assistido no vídeo acima, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, foi confrontado por jornalistas durante sua coletiva de imprensa de despedida do cargo. Quem abriu a boca para denunciar a política de extermínio acabou sendo expulso da sala, isso na “terra da liberdade de expressão”.

Os papeis de Blinken e do presidente Joe Biden se tornaram nitidamente mais indefensáveis quando Donald Trump entra em cena e rapidamente faz com que Israel aceite um cessar-fogo. Ou seja: o governo democrata poderia ter impedido um genocídio quando quisesse, mas optou por ser cúmplice e enviar bilhões em armamento para o seu aliado no Oriente Médio.

O grande problema para o futuro da Palestina é que Trump não está minimamente interessado no fim da ofensiva sionista. Para o jornalista Jamil Chade, a ordem dada por um imediato cessar-fogo parte da lógica de que os conflitos em Gaza e na Ucrânia são um desperdício de energia para os EUA, que focará todas suas energias na guerra comercial com a China.

Logo, não há um interesse real do republicano em paz para os palestinos. A limpeza étnica pode continuar, desde que não atrapalhe os planos de Trump.

Para quem tem interesse em acompanhar o drama de palestinos que são removidos de suas casas para dar espaço aos colonos judeus na Cisjordânia, uma dica imperdível é o documentário No Other Land, protagonizado pelo ativista palestino Basel Adra e o jornalista israelense Yuval Abraham.

 

E agora?

 

Tanto o movimento BDS, que faz campanhas de boicote a empresas que são cúmplices com o genocídio palestino, quanto demais ativistas e especialistas no tema concordam que a pressão sobre Israel precisa continuar. A trégua obtida agora é frágil e não acaba com o sofrimento de décadas de um povo expulso de suas terras.

É também importante sempre frisar que as pessoas tenham muito cuidado com as notícias veiculadas na grande imprensa ocidental, que muitas vezes está alinhada com a política israelense e não se dá nem mesmo ao trabalho de contestar qualquer informação que venha de Tel Aviv.

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