O capitalismo foi criado por nós, humanos, e apenas existe por nossa causa, assim como países, instituições e dinheiro, por exemplo.
Entenda: quando você ultrapassa a divisa entre o Brasil e o Uruguai, é uma linha imaginária criada por nós. Se amanhã os governos acordarem que a divisa fica 100 metros ao sul, assim será. Se um país anexar o outro, a linha some. Se todos nós pararmos de acreditar que o Brasil existe, ele simplesmente não mais existirá.
O mesmo acontece com a economia. Se não acreditarmos na nossa moeda de troca, uma nota de R$ 10 não passará de um papel qualquer. A Bolsa de Valores só tem sentido porque acreditamos nela.
E se entrarmos em acordo que chegou a hora do capitalismo morrer?
Há uma forma fácil de implodi-lo, basta abandonarmos sua lógica de consumo desenfreado. Busque uma alimentação mais consciente. Compre roupas de segunda mão. Compre ou troque equipamentos eletrônicos apenas quando estritamente necessário. Force a roda da economia a girar o mais lentamente possível.
Reflita comigo: é fácil dizer que o agronegócio é o principal responsável pelas mudanças climáticas e continuar comendo um quilo de carne proveniente do desmatamento da Amazônia todos os dias. Ou falar da pegada de carbono da indústria têxtil e comprar roupas desnecessárias sempre que pode.
Os bilionários são os grandes vilões da catástrofe em curso, mas nossa subserviência ao capitalismo faz tudo continuar como está.
Fique atento: desacelerar a economia significa o fim de determinados empregos. Por isso, precisamos não apenas matar o capitalismo, mas inaugurar uma época de solidariedade e coletividade. É urgente a construção de uma sociedade na qual todos tenham um teto para viver e comida para se alimentar, com compartilhamento de saberes e culturas.
Não precisamos de nações, que constantemente entram em conflito, apenas de organizações locais focadas no bem comum.
A comunhão dos povos indígenas com a natureza precisa servir de modelo para nossas vidas.
A sobrevivência humana depende do fim de muitos privilégios individuais. Eu te pergunto: você está disposto a abrir mão do que para matar o capitalismo e ressignificar as nossas existências?
Douglas Roehrs é jornalista, escritor e cineasta. Criador do ecossistema da Insígnia Filmes.



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